A gente se apequena um pouco mais hoje. A história da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS se mistura muito com a história pessoal de Jacqueline Rocha Côrtes, falecida na tarde desta quarta-feira, 14 de agosto, aos 63 anos, no Incor, em São Paulo.
Apesar de não ter sido uma das fundadoras, em 1995, ela é fundadora da RNP+ nacionalmente. No final dos anos 1990 foi ela quem elaborou e captou os recursos para a realização do Projeto Horizontes, que capilarizou a RNP+ em todo o país.
Em 2004, participou da elaboração coletiva do discurso que a RNP+ preparou para a mesa de abertura dos congressos de aids realizados em Recife. Foi deste discurso que a RNP+ tirou seu lema “Antes nos escondíamos para morrer; hoje nos mostramos para viver”.
Depois, a convite, foi trabalhar na cooperação internacional do programa brasileiro de aids. Em seguida, foi a “primeira mulher trans a trabalhar no sistema ONU”, como se orgulhava de falar sobre sua passagem pelo Unaids no Brasil.
No Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP), na RNP+, no GIV – Grupo de Incentivo à Vida, e em toda a história da luta contra a aids no Brasil, Jacqueline tem sua marca.
Da sua história pessoal, ela tinha orgulho de seus filhos e de ser mãe deles, hoje com 21 e 15 anos, respectivamente. Com o documentário “Meu nome é Jacque”, ela disse a que veio.
Durante parte da vida, permaneceu num corpo que não reconhecia como seu. Ela dizia que o diagnóstico do HIV a havia encorajado a ser por fora quem ela era por dentro, assumindo-se mulher, redesignando seu sexo e alterando seus registros oficiais.
Professora de inglês autodidata, ela também gostava de dizer que trabalhou no programa brasileiro de aids e no Unaids por “notório saber”, não porque tinha uma formação acadêmica.
Atualmente, era uma das diretoras do Instituto Nacional de Mulheres Redesignadas (Inamur).
Na história da luta contra a aids no Brasil e na história da RNP+, nossa grande JACQUELINE ROCHA CÔRTES estará sempre PRESENTE!
RNP+Brasil
14 de agosto de 2024